Conhecendo OKINAWA 2


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Conhecendo OKINAWA

(Artigo escrito pelo Grupo de Taiko Matsuri Daiko)

Okinawa é uma ilha do arquipélago Ryu-Kyu que pertence hoje ao Japão, mas, que ao longo da sua história foi cobiçada e conquistada tanto pelo império chinês como pelo japonês. Devido a isso, existiu um fluxo constante, cultural e econômico, entre a China (a grande potência cultural da época) e a ilha de Okinawa assim como outras regiões da Ásia.

Trata-se de um conjunto de ilhas e ilhotas (total 160) cravadas nas águas quentes do Oceano Pacífico, com clima tropical e costumes próprios. Da ilha de Yonaguni, na fronteira sul, até Taiwan, é apenas 127 km que abarca algumas das metrópoles asiáticas: Pequim, Xangai, Manila, Seul, Hong-Kong.


Okinawa é, portanto, a província nipônica mais próxima da China, do Sudeste Asiático, das Filipinas, da Austrália, que são importantes parceiros comerciais do Japão.

Okinawa Conta com uma população de cerca de 1,2 milhão de pessoas distribuídas em quarenta ilhas do arquipélago. Anexada ao Japão pela primeira vez em 1609, a ilha desenvolveu um dialeto próprio – o “uchinaguchi” e possui características religiosas bastante fortes.  Foi tomada pelos Estados Unidos na segunda guerra mundial, sendo devolvida ao Japão em 1972.

Okinawa é a única província japonesa geograficamente situada em zona tropical. A temperatura média anual é de 23,1ºC e mesmo no inverno a média não cai abaixo de 16º. As ilhas possuem rica vegetação nativa, com mais de 3 mil espécies da flora subtropical ou tropical, atraindo a atenção dos visitantes pela sua exuberância e pelas cores vivas de flores como hibiscos, buganvílias e deigo. Devido a sua beleza natural, a flor da deigo foi escolhida como símbolo da província em 1967. A árvore enfeita ruas, estradas e jardins públicos no arquipélago.

Distante 1.500 Km da capital do Japão, Tóquio, Okinawa é uma província com traços naturais e culturais bastante diferenciados do restante do arquipélago nipônico.

Com uma economia que permaneceu predominantemente rural por séculos, a tradição religiosa de Okinawa evidencia a ligação dos nativos da ilha com a natureza. “Para o uchinanchu (Okinawano no dialeto local), os ventos, as montanhas, todos os elementos que o cercam são sagrados. Esse respeito demonstra a importância das forças naturais em sua vida”.

Graças ao seu clima subtropical, amenizado pela brisa do mar, e em particular as suas lindas praias, Okinawa encontrou no turismo a indústria mais apropriada, mais rentável e promissora.

CULTURA

A rica cultura de Okinawa vem atravessando séculos de forma indelével, sendo transmitido de geração em geração.  A cultura é sem dúvida nenhuma, um dos fatores mais importantes para a identificação e unidade de um povo. Sua manutenção exige o esforço coletivo na transmissão de valores, crenças, padrões e comportamento do grupo nas novas gerações.

Mesmo com a imposição política e cultural sofrida nos últimos anos e mesmo com as recentes transformações como parte de um processo histórico, que vem ocorrendo de forma global no mundo moderno, exigindo um mundo cada vez mais cosmopolita, o povo de Utiná (Okinawa no dialeto), resiste heroicamente, insistindo em manter aquilo que lhe é mais precioso, a singularidade de sua cultura e do verdadeiro “espírito utinanchú” (natural de Okinawa).

Além da indissociável alegria e festividade de seu povo, a valorização da família e da comunidade, o sentimento de união e principalmente, a gratidão e o respeito aos mais velhos, o que tudo isso pode ser traduzido como o verdadeiro “espírio Utinantchú”, atravessou oceanos e está presente aonde haja um “utinanchú” ou seu descendente.

A música, a dança, o teatro, o Karatê, a cerâmica, a tecelagem, são as maiores expressões de sua cultura e reconhecidos internacionalmente.

MÚSICA

Povo de reconhecida musicalidade, a música sempre esteve presente na vida dos okinawanos e de seus descendentes. Desde as simples reuniões familiares, comemorações, festas, cerimônias ou em solenidade, a milenar música de Okinawa atravessou séculos e vêm animando e trazendo sempre o mesmo espírito de alegria e o mesmo sentimento que sensibiliza o fundo da nossa alma. Seja na melodia, no ritmo ou nas composições, a música de Okinawa é o maior estandarte de seu povo.

DANÇA

Entre as danças, destaca-se o EISÁ – trata-se de uma dança bastante popular realizado nas comunidades rurais por jovens e adolescentes nas festividades dedicados aos mortos, o “Obon”, que em Okinawa é no mês de julho e é chamado de Shitiguati. Em Okinawa, uma semana após o Tanabatá (1) e durante quatro dias consecutivos, acredita-se que os espíritos dos mortos vêm fazer uma visita ao mundo dos vivos, e como para os utinanchu os espíritos dos mortos e dos ancestrais são elevados ao nível de divindade, se faz tradicionalmente grandes folguedos populares para homenageá-los. Cultos, oferendas, fogos e principalmente a dança Eisá marcam esta festividade. Esta dança é caracterizada pelo ritmo das batidas dos Taikô e do Shamisen, pela beleza da jovialidade dos integrantes e dos trajes coloridos e principalmente pela espiritualidade de sua apresentação.

KARATÊ

Essa luta é a conhecida arte de defesa pessoal e Okinawa. A conhecida palavra Kara-tê significa “mão vazia” e Do significa “via” ou “caminho”. Dois importantes acontecimentos  históricos contribuíram para o desenvolvimento do Karatê.

  • A política de centralização do poder conduzida pelo rei Sho Shin, que desarmou os aji, líderes locais.
  • A invasão de Satsuma em 1609, que completou o desarmamento do reino, proibindo até mesmo a confecção de espadas de uso cerimonial.

Desarmados, os Okinawanos teriam desenvolvido o Karatê. Devido ao domínio dos diversos impérios, sobretudo o japonês, os Okinawenses foram proibidos de portar e usar qualquer tipo de arma ou aprender métodos de luta. Para poder defender-se dos agressores, o povo de Okinawa desenvolveu – em segredo – uma arte de luta sem armas que era chamada simplesmente T “mão” (em japonês) ou Okinawa-te (mão de Okinawa) e outra arte de luta utilizando instrumentos de lavoura, pesca e outras ferramentas, chamada Kobudo.

ERRA DA CORTESIA – UMA PONTE PARA O MUNDO

Chamada também de “Terra da Cortesia” (título recebido pelo Reino de Ryukyu do antigo imperador da Dinastia Ming) e afixado no Portal do Castelo de Shuri (antiga sede real), singulariza o reconhecimento e a importância de sua rica cultura e hospitalidade para toda a região.

Nos meados do século XV, quando o Reino de Ryukyu prosperava com o comércio ultramarino, o Castelo de Shuri ostentava na fachada do seu pavilhão central, um sino chamado “Bankoku Shinryo”. Cunhado em cobre, em 1456, simbolizava a prosperidade fruto das relações mercantis do antigo reino com a Coréia, China e Japão. De acordo com os escritos de José Yamashiro, o sino exibe em sua superfície as seguintes inscrições:

“o Reino de Ryukyu nos Mares meridionais, numa localização privilegiada que reúne as excelências da Coréia, mantém íntimas relações com a China e o Japão. São ilhas da eterna juventude situadas entre os três países e que fazem do comércio uma ponte para o mundo…”

Depois de muitos séculos de silêncio, o “Bankoku Shinryo” soou novamente no dia 23 de agosto de 1990, no Primeiro Uchinanchu Taikai, Encontro Mundial dos Uchinanchu, que aconteceu em Okinawa-Japão.

BANZAI

Banzai, que significa em língua portuguesa: “dez mil anos”, é uma saudação que se aproxima do conhecido: “Viva!”.

Pronunciado de forma coletiva, o “Banzai” é saudado levantando-se as duas mãos, por três vezes, acima da cabeça.

Esta saudação, que também exprime o sentimento de unidade, coesão e longevidade, é normalmente empregada em ocasiões festivas por equipes esportivas, empresas, grupos sociais etc.

LONGEVIDADE

Estudos científicos comprovam que a Ilha de Okinawa tem a maior concentração de pessoas centenárias (pessoas com mais de cem anos de idade) no planeta. Há uma média de 34 pessoas centenárias para cada 100 mil habitantes, contra 10 nos EUA.

A tão reconhecida longevidade da ilha se atribui principalmente a excelente qualidade de vida do pequeno arquipélago. Uma combinação de boa alimentação, excelentes condições climáticas e um invejado estilo de vida.  Em Okinawa a expectativa de vida para cada habitante é de 81,2 anos de vida.  No Brasil, somente para os “utinanchus”, ou seja, okinawanos que emigraram jovens para o país e aqui se radicaram, esta expectativa cai em 17 anos. Isso revela que entre outros fatores, principalmente a alimentação brasileira, rica em gorduras, interfere diretamente na saúde de nossa população.

Nas pequenas vilas e aldeias de Okinawa, é muito comum encontrarmos pessoas com bem mais de noventa anos, ainda trabalhando nas pequenas lavouras e mercados da região. Para muitos populares, o goiá, também conhecido como nigaori, iguaria típica da região e que tem propriedades medicinais, tem grande contribuição para a maior longevidade de seu povo.

TRATAMENTO

Uma das marcas do povo “utinhanchus” é o respeito e o amor que é oferecido às pessoas idosas. Para um povo que cultua e reverencia seus antepassados, o tratamento aos idosos deve ser sempre da melhor forma, de respeito e reconhecimento àqueles que foram fundamentais em nossas vidas.

Tradicionalmente, os “utinanchus” prestam homenagem aos idosos com grandes festividades. As principais comemorações são:

. Tookachi – 88 anos;

. Kajimayá – 97 anos.

Casa cheia com muitos convidados, muita música, dança e comidas fazem parte da comemoração. De região para região, as festividades ganham caráter peculiares, porém a profundidade do espírito é a mesmo em toda a ilha.

Muito amor, carinho, respeito e reconhecimento, tratamento que os “utinanchus” oferecem aos mais velhos, e que muito alegram e animam a vontade de viver, são também decisivos, para a maior longevidade do povo.

Saiba mais

Grupo de Taiko Ryukyu Koku Matsuri Daiko – RKMD – Brasília-DF

 

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